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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Algo indescritível


Eu quis seu coração
Mas não poderia tê-lo.
Eu quis teu amor
Mas não poderia obtê-lo.
Eu quis tua paixão
Mas não poderia tê-la.
Eu quis teu abraço
Mas não poderia segurá-lo.
Eu quis teu beijo
Mas não poderia beijá-lo.
Eu quis tua Arte,
Mas não podia representá-la.
Eu quis você,
Mas a primeira vista não poderia amá-la!

O eterno devir; o grande acaso; o mistério do viver.
Sem escrúpulos do contingente.
Chega, solidifica, instaura?
E restaura?
O que antes na ideia se comprazia,
Agora material se faz.
Fácil não se torna; possível?
Provável quem sabe.
Os pilares abalados tendem ao solo,
Já não sustentam,
 Fracos estão.
Abalo ‘mental’ sísmico!
A recomposição é cruel e dura,
Não sabe-se o que por vir estará,
A ação, o desejo, a imprevisibilidade.
O ato fala por si.

Alguém para o outrem,
Um para o outro.
A interpretação; o real.
O que seria do homem sem uma misera liberdade?
A liberdade de trazer consigo
No âmago do ser,
A razão junto à vontade.

O querer: e hesitar!
O querer: e fazer!
O pensar: e abster!
O pensar: e praticar!

Aos olhares exteriores é propício,
Ao sofrimento interior difícil.
Um ódio se faz.
A beleza se faz no novo amor que nasce!
Um motivo.
É disso que precisa a espécie?
O sabor provado no primeiro ato,
Já não há volta!
O instinto fala mais.
Já não há correto,
Já não há errado.
Há vontade, há amor!

Recíproco ao se tornar,
Um novo castelo.
 É suspenso,
Com bases fortes,
Muros góticos,
Frágil na essência,
Mistura de vontade e razão,
Prevalecer, não importa.
Fugir ao vento da maré que:
Salga, seca e corroí!
Sustenta o sentimento,
Aguça ainda mais seu grau.
Fez-se intrínseco.

Já não poderia ser mais sem tamanha exaltação!

Eu quis seu coração
Agora posso aquecê-lo.
Eu quis teu amor
E não poderei jamais esquecê-lo.
Eu quis tua paixão,
Não há sentido não tê-la.
Eu quis teu abraço
Hoje grande como um laço.
Eu quis teu beijo
Seu sabor imenso: impossível descrevê-lo.
Eu quis tua Arte,
É hora de pintá-la!
Eu quis você,
E logo amá-la,
Sem mas, sem porém, nem quem.
Apenas ambos,
No calor do inverno,
Na graça da paixão.
Sem descrição!


Lucas Mendes

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