-Joãozinho recolhe-se
rapidamente,
tamanho é seu regozijo
e ali permanece
adormecido
na realidade de seus
pensamentos,
ao jogar areia nos olhos, começa
a realidade.
-É dia. Continuo minha
rotina,
reencontro pessoas
amadas, carros, construções.
Gigantesca montanha, esse
lugar está diferente,
porque me perseguem?
Porque me amam e me
odeiam tanto?
Quanta sapiência e ignorância
misturam-se no
liquidificador,
o bolo sai como
descrito na receita,
não queimou!
Todos saciam o desejo surreal de realidade,
Anoiteceu, crepúsculo
não houve,
hienas vagam junto a
mim, bandidos perseguem,
a prometida liberta sem
pudor.
A translação não cessa.
Ajeito a gravata, pego
minha pasta,
ando pelas ruas, satisfeito
com minha plenitude.
Um carro desgovernado me
poupa os passos,
estou do outro lado da
rua comendo chocolate,
o projétil me acerta, me vejo de fora apunhalado a facadas,
Gritos e mais gritos.
Tamanho desespero.
-Acorda, acorda,
acorda!
Acabou-se a
imortalidade.
Não sinto os pés,
lábios adormecem,
morbidez interrompida pelo estridente som.
-Acorda Joãozinho vai
se atrasar! É dia.
Continuo minha rotina!
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