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sábado, 10 de novembro de 2012

Ambígua realidade


-Joãozinho recolhe-se rapidamente,
tamanho é seu regozijo
e ali permanece adormecido
na realidade de seus pensamentos,
ao jogar areia nos olhos, começa a realidade.
-É dia. Continuo minha rotina,
reencontro pessoas amadas, carros, construções.
Gigantesca montanha, esse lugar está diferente,
porque me perseguem?
Porque me amam e me odeiam tanto?
Quanta sapiência e ignorância
misturam-se no liquidificador,
o bolo sai como descrito na receita,
não queimou!
Todos saciam o desejo surreal de realidade,
Anoiteceu, crepúsculo não houve,
hienas vagam junto a mim, bandidos perseguem,
a prometida liberta sem pudor.
A translação não cessa.
Ajeito a gravata, pego minha pasta,
ando pelas ruas, satisfeito com minha plenitude.
Um carro desgovernado me poupa os passos,
estou do outro lado da rua comendo chocolate,
o projétil me acerta,  me vejo de fora  apunhalado a facadas,
Gritos e mais gritos. Tamanho desespero.
-Acorda, acorda, acorda!
Acabou-se a imortalidade.
Não sinto os pés, lábios adormecem,
morbidez interrompida  pelo estridente som.
-Acorda Joãozinho vai se atrasar! É dia.
Continuo minha rotina!

Lucas Mendes




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