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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Razão final


A vida, corriqueira, não nos oferece
muitas verdade, tão pouco certezas.
É muito complicado, vive-se
em constante mudança.
Culturas, doutrinas, etnias,
as mais variadas concepções
traduzem-se no viver.
A experiência nua e crua
forma o indivíduo.
– Este em muito acredita,
ora duvida, ora obtém clareza.
Pode haver esclarecimento!
Mas não do todo!

Não obstante a algumas certezas
há você!
Muitos de ti já falaram,
outros tantos já dormiram no seu abraço.
Seu manto preto, sua túnica,
assusta, espanta e enaltece!
Serena, diz sem falar.
Chega e esvai-se
 sem ver nem morrer.
Certa, cumpre seu horário,
faz seu trabalho!
Não tarda. Não falha.
É bela!

Vaga pelo mundo desde o princípio,
sentira tédio e prazer,ocorrera paz e guerra
agraciada se tornou,
benévola para uns,
má a serviço do diabo, certa hora.
É você, sem mais.
Sem choro ou piedade.
Com a lâmina mais afiada
do leste ao oeste
norte ao sul,
recolhe a carniça,
enterra o lixo.
E continua seu vagar por outras bandas
Até que solicitada seja.

Sabe-se que nasceu mais um.
Esboça sua alegria,
se boca possuísse, por ventura,
gargalharia.
Pode ser amanhã ou depois
quem sabe daqui a um século.
– Serás agraciada!
Este é o aprendizado básico
do nascer.
Pois aquele que outrora nascera,
um dia entenderá
que do teu sopro
não fugirá.
Irá sucumbir e para as larvas levará
o grande segredo humano.
A grande certeza!

Lucas Mendes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Amor de Irmão


Ao som da voz chorosa
Nota-se embriaguez, medo, possibilidades
raça e mais além, Amor! Sim amor!
Mas o que é amor, logo perguntaria!
Dessa definição abri mão, o que me aproxima
mesmo longe do meu irmão? Distância geográfica necessária?
Necessidade, termo pesado, concreto ou abstrato.
Não recuses a frieza do amargo do sentir,
a partida é triste,  importante e difícil.
Momentos distintos de saudade
diminui a sensibilidade.
O álcool aumenta de lá
O que o estudo procura suprir de cá.

Mas a vida é interessante.
O tempo muda, muda os valores,
as vivências, os sentimentos.
Ora pensamos que são melhores,
ora piores, ora não pensamos, agimos.
A ação do homem fala por ele,
ninguém mais, jamais!
Assim constatado, não poderei mesmo em delongas
dizer ou especificar sobre ele,
somente posso observar, talvez constatar.

Ao passo que a experiência permitir,
é que vos poderei falar que o que deve enxergar
é a própria retina! Retina que já vivenciou a dor
e a alegria, o difícil e mordaz. Porém ainda vê!
Não se absteve, permanece forte e não se fecha.
Luta e carrega nos ombros fardos distintos,
essa força muitos não têm,
são ofuscados em sua presença.
Por isso saliento, da forma que me resta,
isto é, com breves palavras,
a gratificação de se ter um irmão.


Lucas Mendes


domingo, 25 de novembro de 2012

Lamentações


Lamentos e mais lamentos!
já há um muro
suficiente para tal!
Muito são os inventos,
poucos são aqueles significativos
ao bípede pensante!
Enquanto não muda o bem precioso
haverá lobos se aniquilando.
Independentemente do bem dito conciliador.
Os “estáveis” dominam,
mastigam a comida,
cospem as migalhas
na mão dos lamentadores.
Esses, por sua vez,
indignados, inconformados.
Gritam... gritam...gritam  no vácuo!

 – Meros lamentadores! Pobres lamentadores!

Realizam revoluções!
Revoluções intelectuais a sua ótica.
não veem que se alimentam do resto;
vivem na merda;  são tratados  como insetos
que pousam na fruta madura
e logo são enxotados.
O playground alienante, o lazer,
o bem estar, momentâneos,
tapam as chagas de sua origem,
encobrem a face derradeira
da miséria que lhe fora atribuída:
ver-se bom na ruindade alheia.
A justiça é cega de nascença,
Deus em sua bolha não ouve gritos,
somente gemidos, sua audição
é aguçada como de mil cães,
sua ação é tão estática
quanto o movimento de uma rocha.
Não há reconhecimento!
Não há sentido!
– Jaz a revolta!
Não mais tamanha credulidade.
Mais obscenidade, vulgaridade,
futilidade, dificuldade...
porque tantas  -ade?

– Meros lamentadores! Pobres lamentadores!

Lucas Mendes

sábado, 24 de novembro de 2012

Caminhos


Não sonhara em ser astronauta,
somente desejara caminhar,
correr por pistas com vistas ao horizonte.
De súbito me enganei!
As estradas da vida eram sinuosas,
voltar já não eram opção. Logo iniciara a jornada,
a corrida foi exaustiva a princípio,
e cada vez mais difícil, muitos eram os obstáculos,
ora inseridos por mim, ora pelo acaso,
ora apareciam, ora sumiam.
Por vezes esbarrara em suas estruturas.
-Eram tamanhas! Pilares consistentes,
o desviar de um culminara no choque com outro,
com o fôlego jovem, pulmão novo,
não haveria o que parasse, mas muitos foram os que pararam!
Matou inúmeros, tragou a família, o senhor da padaria,
a criança que andara alegremente de bicicleta,
a senhora que passeara com cachorro.
O cansaço se fazia mister,o descanso fora preciso?
Água fresca e sombra de sete copas
aguçavam o desejo de parar, sentar e esperar.
Esperar pelo que? Pelo fôlego voltar?Pela sede saciar?

Não fora pior inimigo do corredor
o obstáculo, o acaso ou até mesmo o cansaço.
Fora o alento do descanso!
este foi sempre muito bem saciado
por aquela criança, por aquele jovem sonhador,
por aquele velhinho que acabara de morrer.
estes optaram pelo atalho, pela sombra fresca,
pela vida branda. Primaram pela alegria, pela alegria da distração,
por toda tecnologia que os apeteciam
nos momentos vagos.
Sedentários tornaram,
músculos fracos com tempo se fizeram,
a corrida já não era opção!
Mas quem correra como Forrest Gump
conseguiria prosseguir.
Firmara o passo,
com mais obstáculos se chocara,
isso lhe concedera prazer.

A trilha não tem sentido. É trilha!
Esta ali para ser atravessada,
bem como a ponte que balança e não cai.
Dada a fortuna e os caminhos desbravados,
é lembrado aquele cheiro,  aquele local
das pessoas que mofando ali estavam,
da TV que ali animara,
do Deus que ali habitara.
Não há superação! Já não tanta alegria,
Nem ao menos onipotência.
Há o caminho, os pés e a habilidade!
Quem irá para guerra, quem irá se ausentar?
O mais viável não saberei afirmar!

Lucas Mendes

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Algo indescritível


Eu quis seu coração
Mas não poderia tê-lo.
Eu quis teu amor
Mas não poderia obtê-lo.
Eu quis tua paixão
Mas não poderia tê-la.
Eu quis teu abraço
Mas não poderia segurá-lo.
Eu quis teu beijo
Mas não poderia beijá-lo.
Eu quis tua Arte,
Mas não podia representá-la.
Eu quis você,
Mas a primeira vista não poderia amá-la!

O eterno devir; o grande acaso; o mistério do viver.
Sem escrúpulos do contingente.
Chega, solidifica, instaura?
E restaura?
O que antes na ideia se comprazia,
Agora material se faz.
Fácil não se torna; possível?
Provável quem sabe.
Os pilares abalados tendem ao solo,
Já não sustentam,
 Fracos estão.
Abalo ‘mental’ sísmico!
A recomposição é cruel e dura,
Não sabe-se o que por vir estará,
A ação, o desejo, a imprevisibilidade.
O ato fala por si.

Alguém para o outrem,
Um para o outro.
A interpretação; o real.
O que seria do homem sem uma misera liberdade?
A liberdade de trazer consigo
No âmago do ser,
A razão junto à vontade.

O querer: e hesitar!
O querer: e fazer!
O pensar: e abster!
O pensar: e praticar!

Aos olhares exteriores é propício,
Ao sofrimento interior difícil.
Um ódio se faz.
A beleza se faz no novo amor que nasce!
Um motivo.
É disso que precisa a espécie?
O sabor provado no primeiro ato,
Já não há volta!
O instinto fala mais.
Já não há correto,
Já não há errado.
Há vontade, há amor!

Recíproco ao se tornar,
Um novo castelo.
 É suspenso,
Com bases fortes,
Muros góticos,
Frágil na essência,
Mistura de vontade e razão,
Prevalecer, não importa.
Fugir ao vento da maré que:
Salga, seca e corroí!
Sustenta o sentimento,
Aguça ainda mais seu grau.
Fez-se intrínseco.

Já não poderia ser mais sem tamanha exaltação!

Eu quis seu coração
Agora posso aquecê-lo.
Eu quis teu amor
E não poderei jamais esquecê-lo.
Eu quis tua paixão,
Não há sentido não tê-la.
Eu quis teu abraço
Hoje grande como um laço.
Eu quis teu beijo
Seu sabor imenso: impossível descrevê-lo.
Eu quis tua Arte,
É hora de pintá-la!
Eu quis você,
E logo amá-la,
Sem mas, sem porém, nem quem.
Apenas ambos,
No calor do inverno,
Na graça da paixão.
Sem descrição!


Lucas Mendes

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Silenciosa arma


Expressarei em palavras aquilo que sinto.
Palavras indiretas,mais brandas aos ouvidos,
mais ofensivas ao entendimento.
Não poupar-vos-ei do meu alarde sonoro
que a muitos incomoda.
Escreverei!
serei mais bem quisto,
amistoso ao olhar decrépito das pessoas,
assim vou me tornando.
Na sutileza, escondendo a maledicência
de reconhecer à estupidez alheia.
Num dia chuvoso não me irritarei, não discutirei,
somente amarei,
se não isso o que esperar de mim?

Digo que espere! Espere! E novamente, espere!
Não serei mais um acomodado,
mais um que se intimida
frente à tamanha ignorância.
Arrogante soarei aos ouvidos alheios,
longe da humildade indefinível pelos mesmos.
Abutres do senso comum, não cheiram, não fedem,
são indiferentes com concepções mitigadas!
Não agradarei, me expressarei!
Não afirmarei uma moral universal,
muito menos consequencial.
Falarei a minha angústia,
expressarei minha raiva, meu descontento,
minha preocupação, minha sanidade.

O mundo a mim apresentado será alvejado,
será criticado, não escapará a essa retina.
Criado por ele,
revolto-me com a aparência maltrapilha,
mesquinha e ilusória.
Não me deterei somente ao amor
e este não descartarei
esse expressa transparência, beatitude.
Tratarei da realidade nua e crua,
das mazelas, do horror.
Não utilizarei o tapa olho,
nem vista grossa farei.
Meu grito poderá ser ouvido ao longe,
ao pé de cada montanha.
Por ventura será ignorado e abafado
por sua prepotência,
por seu escopo escandaloso.
Minha arma não mata, não derrama sangue,
apenas faz do cérebro um instrumento a ser usado.


Assim será meu poema,
através dele atinjo as bolhas de ignorância
ele é ostensível, machuca ao fazer refletir.
É a expressão que foi recusada,
é o ardor de meu grito.
A minha insatisfação refletindo
a miséria intelectual desprovida do “saber” cotidiano.
Enganam-se os que pensam
ser esse meu único manifesto
gritarei, discutirei até que meu corpo pereça
e dele emane apenas o eco do pensamento.
Eco transmutado em poema!
Leiam, apaixonem-se, odeiem.Leiam!
Sintam o prazer da minha arrogância
martelar em suas mentes fétidas.
Sinta o ressoar da corda vocal estanque,
critique, crie defeitos,
ao passo que já o tentou interpretá-lo
e pego pelo laço o foras.
Não sairás impune!
Verás uma gotícula de realidade
Ao se espantar com demasiadas palavras.

Lucas Mendes

domingo, 18 de novembro de 2012

Peso existencial


O que de fato compraz o homem
Ainda é parte do lado obscuro da compreensão.
Pensar a existência, assim como tantas questões
seria demasiado pertinente?
Por tanta subjetividade se procurou,
também por objetividade.
Realidade, verdade.
Questionamentos e suas devidas respostas.
É criado o abismo do compreender,
o incrédulo se manifesta inverno após inverno. 
A questão ganha força,
a resposta ainda não foi resgatada do vácuo.
Se é que lá se encontra!
Tanta complexidade contrasta uma simplicidade?
O que a retina mental quer enxergar?
O peso da existência é grande, assustador.

As mazelas não cicatrizam.
Tantas preocupações, inúmeras concepções.
Onde facultam as mais relevantes representações?
Tão diferentes das outras espécies, tão vulnerável quanto.
Em que época se vive?
O sentido, a época, a razão.
Melhor são os que facultam de coisas vãs?
São admiráveis as capacidades intelectuais,
mas interessante é pensar o propósito a que se voltam.
Recheados com chagas, feridas, úlceras,
Já não facultam. Vivem!
Esperam, acreditam, falam, fazem.
Acaba o milênio, começa outro, perpetuam, vagam.
Não a extinção! Nenhum efeito catastrófico!
Reinam no seu império, filhos do saber e da ignorância.
Acrescem e se tornam mais tecnológicos!
E ainda não sabem responder questões iniciais de sua caminhada.
O acaso é uma venda, tapa uma imagem e proporciona outra.
É paradoxal, reflete um sistema, que tira para obter.
De onde partimos e onde pretendemos chegar?
O peso da existência é grande, assustador.

 Lucas Mendes

O que há?


Das mais belas obras artísticas
saíram as melhores críticas interpretativas
não obstante a dedicação e o empenho
transportado para uma representação estética
de caráter tão “belo” tanto no que tange
ao objetivo quanto ao subjetivo.

Mas a arte não é restrita!
O artista será julgado de diversas maneiras,
abertura essa também concedida por aqueles
que se dedicam aos versos,
suas obras representam-os no mundo objetivo.
A obra pelo autor!
O autor na obra!

Não há obra, nem autor, nem leitor.
Há representações e suas interpretações.
Comprometimento e descaso
desejos frugais e dissolutos
bocas e ouvidos!
Simplicidade.
Há coisas, pensamentos, instrumentos.
Há!
O resto é reflexo!

Lucas Mendes

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Escravos da modernidade


Ó princesa Isabel
onde repousas?
Necessária é a abolição.
escravos da tecnologia,
dos prazeres dissolutos,
adoradores fúteis
amantes da contemporaneidade.
Críticos dos umbigos alheios
incapazes de enxergar,
braile não é a solução para tamanha cegueira.
A verdade se instaurou,
Intelecto geral,
Sapiência em dobro,
vulgos sapiens sapiens,
dotados de fala.
-EVOLUÇÃO?
As masmorras de antes
visíveis hoje apenas na ficção
imaginárias,sem fronteiras.
Tijolos abstratos,
Correntes ‘mental’
autrora  metal
“presas da ‘liberdade determinada’”
alvos desenhados nas faces
bombas de publicidade
espalham efeito moral.

Lucas Mendes

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Lua


Ao silêncio de minha caminhada
noturna, deparei-me estupefato
com ela cheia, ofuscada em partes
pelos emaranhados de ‘algodão’,
elucidada mostrando em parte seu brilho
amarelado.
Não fossem as criações não-naturais
ela soberana estaria simples e só
em sua completude natural.
Mas porque a surpresa?
Ali sempre se encontrou, estivesse
paralisado frente a um prédio?

Lucas Mendes

domingo, 11 de novembro de 2012

Procura


Paralisado em minha demência.
O gesto mais sensato,
desvio agora devido atrofio da mente,
longe do corpo escapa, viaja ao horizonte
onde a luz que se põe  se opõem,
se faz reflexo da natureza humana estagnada.
Tamanha seria minha decência comparada a ela,
tantos que  a adulam, dela correm,
vítima corrompida do novo mal do século,
um novo padrão indefinível e corriqueiro .
-Onde você se encontra, diga-me?
E até você chegarei.
-No globo estas? Globalizado eu sou.
-Na lua? Lunático me torno.
-Em outro planeta? Extraterrestre quem sabe.
Se de mim foge tanto, tanto mais corro,
não suo, não canso, apenas vou,
a pista afunila com a idade próxima,
ingerindo celulose em brochuras.
Do deserto fugi, esqueci-me,
lapsos se tornam miragens,
não me engano.
A muito dormi. Desperto-me!

Lucas Mendes

Um lugar, um olhar e um pensamento

Do olhar da janela nota-se
o acompanhamento daquele, que
ao estar ali sempre mudo não o deixa,
ao contrário,
deleita na profunda acepção.
Passou-se o crepúsculo, embora
não revela explicitamente o fato.
A luz natural enaltecida pela artificial
mostra um reflexo do concreto.

Ali se alimenta, come de tudo,
bebe-se da garrafa roxa,
lugar de frutíferos e corriqueiros alimentos.
alimentam a imaginação,
cortada pelo som irritante,
um aparelho que fala!
culminando de uma leitura recíproca
que amplamente vai se configurando.

Qualidade subjacente transporta para perto
do que é, e afirma não ser.
Dessa mesma feita
a melhor companhia o torna,
melhor seria outra, que longe está
e talvez a aumentar.
Triste é não poder aproveitar,
mascarar o  pensar, e ainda perto se encontrar.

A loucura segue,
exacerba como que
em contingentes vezes
e esvai, retorna esvaindo-se.
-O gosto? Sua beleza o traz.
Dissimula ao necessário
ao horrível e aterrorizante escopo.
- O livro é a melhor companhia,
fala quando solicitado,
machuca sem ferir,
o ser humano ali endeusado é quase perfeito.
Traduzido por um lápis e um pensamento!

Lucas Mendes

sábado, 10 de novembro de 2012

Ambígua realidade


-Joãozinho recolhe-se rapidamente,
tamanho é seu regozijo
e ali permanece adormecido
na realidade de seus pensamentos,
ao jogar areia nos olhos, começa a realidade.
-É dia. Continuo minha rotina,
reencontro pessoas amadas, carros, construções.
Gigantesca montanha, esse lugar está diferente,
porque me perseguem?
Porque me amam e me odeiam tanto?
Quanta sapiência e ignorância
misturam-se no liquidificador,
o bolo sai como descrito na receita,
não queimou!
Todos saciam o desejo surreal de realidade,
Anoiteceu, crepúsculo não houve,
hienas vagam junto a mim, bandidos perseguem,
a prometida liberta sem pudor.
A translação não cessa.
Ajeito a gravata, pego minha pasta,
ando pelas ruas, satisfeito com minha plenitude.
Um carro desgovernado me poupa os passos,
estou do outro lado da rua comendo chocolate,
o projétil me acerta,  me vejo de fora  apunhalado a facadas,
Gritos e mais gritos. Tamanho desespero.
-Acorda, acorda, acorda!
Acabou-se a imortalidade.
Não sinto os pés, lábios adormecem,
morbidez interrompida  pelo estridente som.
-Acorda Joãozinho vai se atrasar! É dia.
Continuo minha rotina!

Lucas Mendes




Morbidez


O instante é,
foi e talvez venha a ser.
A música que ressoa
ao lado esquerdo do ouvido,
a poluição mundana, 
a dor mórbida, o desejo eterno,
que vão e vem.
-Veio nesse instante, logo partirá
para assolar os demais?
Ruim, bom, relativo, auditivo,
Racional talvez.

O vocalista faz sua melodia,
audacioso, confiante e Conflitante.
Vê-se no espelho,
não se enxerga, apaga a luz e
vê-se no escuro, sua imagem perfeita,
ideia mais translucida que é.
Veste-se de luzes exteriores
que ofuscam os olhos alheios
cumpre seu objetivo, perpassa o agora,
canta à multidão.
Banalizam!
Ela não soa bem, incomoda, faz pensar.

O interior obscuro,
feio a todos elucida o bem,
ama e afeiçoa.
É interiorizado e diferente.
Já o espelho exterior está
no instante agora quebrado,
reflexo do passado.
O futuro?
- Inventaram a cola.

Lucas Mendes

Assolado ao ser confrontado

A despeito do que no peito é latente,
normaliza-se ao máximo,
infligindo dor e sofrimento,
na tentativa hedionda de padronizar.
Conhecendo o fato de que normal é
sem o ser e agora não o é aos inúmeros.
Não obstante a adaptação,
necessária talvez,
a fuga, mentira, estranhamento,
quase morbidez
são ofuscados e quase descobertos,
e encobertos perfeitamente
sem aprimoramento.

Perpassa a dor e agoniza,
o regozijo alimenta aos poucos
essa pobre carcaça
diferente e igual substancialmente
aos que dela valem.
A seriedade compilada esconde o monstro
e o torna bom,
e nunca será.

Nascimento receoso,
crescimento inapropriado,
problemas graves gerados,
normal não mais e nunca mais
estereotipa e deleita na profunda incerteza,
de ser e não querer
de querer ser e ser
indubitavelmente inseguro dos presentes valores
escancarados já que autrora maquiados.
O próprio se pune e de forma acertada
aos mesmos olhos,
escolhas e caminhos trilhados aos
moldes lineares predefinidos
e subitamente impostos.

E uma simples atitude inesperada,
certa, esfacela esse indecente
pensamento que por vezes vai ao voltar,
com meras atitudes
esperadas, não remediadas
e a pouco plenas, ao serem vivenciadas.
Não virá o conserto,
no momento não há!
-Talvez depois?
Melhor por aqui findar ao ponto
de quase explicitar
aquilo que implícito, por agora
deve ficar.

Lucas Mendes