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sábado, 29 de dezembro de 2012

Necessidade necessária?


Primeiro o sabor do leite
nos pequenos momentos
infantes do pequeno indivíduo
saciam as necessidades naturais.

Na fase mediana o calor do álcool
sacia necessidades dissolutas,
numa maximização tão elevada
ao ponto de frugais se tornarem.

Mais tarde isso já não é suficiente,
o presente estágio de coisas não permite
pequenas doses infames do liquido volátil,
o necessário se faz outro.

Ao passo que a experiência ocorre
muda-se a necessidade do
mais bem sucedido ser a
se adaptar  às adversidades naturais.

Incontáveis  coisas são criadas,
diversos são os modos de vida,
 mais Variados são os suprimentos advindos
da mistura complexa do racional com natural!

Mais assídua se torna a necessidade humana
conforme alimentada com a precisão
que se obtém no escalão da vida
que se faz mister.

São inúmeras as alternativas
para o alimento da necessidade
em sua pequena e escaldante jornada
sobre o  imenso planeta.

O que se pretende obter com isso
senão munir-se do melhor modo possível
para a batalha frente ao modo natural da vida,
que tende a durar a qualquer custo?

A necessidade é necessária  aos padrões
determinantes do homem na atualidade
ocorrente dos fatos, o necessário ao natural
está o provimento de tal condição.

O que for necessário será convertido
ao bem estar do homem, natural ou não,
somente o acaso e sua complexidade
o fariam diferentes e revogável.

A necessidade de antes, apropriada pelo homem,
jamais será a mesma em dias atuais,
não tem sentido enraizar  tal conceito, se
revisto e não necessário, provavelmente, se tornará.

Lucas Mendes

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Acerca dos louvores?


Não desejos louvores, louvores exaltam,
estaria eu pronto para me sentir tão complacente?
Mais bem quista tem sido a crítica,
O amargo da dúvida  que machuca atinge o âmago.
A dúvida juntamente com a curiosidade
se faz presente numa forma mais alarmada em alguns.
Alguns aceitam críticas, outros aceitam melhor louvores,
tantos outros criticam.
São variados os modos de encarar a realidade, ou cotidiano humano.
Porque então buscar uma certeza indubitável?
Qual a razão de prender-se nos grilhões do senso comum?
Contrapontos interessantes, muitas vezes descabidos.
-Ora contrários, ora semelhantes. Como poderia tal paradoxo?
Ter compromisso com a dúvida,
Parece interessante ao olhar do pobre poeta
ela causa os mais diversos efeitos no ser,
desde a loucura até maior das sanidades.
De antemão dizer que por meio dela se dará o conhecimento
ao pobre bípede, seria demasiado precipitado.
Há possibilidades e estas na devem ser esquecidas
são cruciais para tal questão. Não se pode garantir o pleno conhecimento
ou sua total ausência. A visão que vezes se esvai ao inconcebível
pode ser tão fadada ao fracasso quanto a sua completa falta.
O devir é fantástico, a contingência surpreende,
a dúvida enaltece a vida que pouco a pouco perece!
 

Lucas Mendes

sábado, 8 de dezembro de 2012

Iminente naufrágio


A tão famosa arte, arte semelhante a do navegar,
do capitão que tempestades vence ou com navio se esvai.
Arte dos chefes de Estado, do país, da universidade.
Os sumos representantes, deuses humanos em busca de interesses,
interesses pessoais ou públicos? Paralelos ou concorrentes?
-Comecemos olhando para o poder deles, quem sabe
não nos preocupando com seu grau, mas com a sede e a ânsia para
tê-lo e nele manter-se
O que realmente torna pessoas competentes para reger um órgão,
é  algo com o que as pessoas não têm se preocupado. E deveriam?
A demagogia, o fácil convencimento do público
banaliza e estigmatiza essa nação de um ponto a outro.
O fato de pensar o erro dessa estrutura
faz com que os cegos, presos no enclausuramento do sistema
exijam uma solução. Pecam! Fecham os olhos e viram as costas
e ainda obrigam-nos a solucionar o problema.
A complacência de um guerreiro politicamente correto
está nos atos impensados, imaturos e impetuosos
esses são os vulgos salvadores do estado.

Correm como que em uma bolha recheada de lâminas
voltadas para seu interior, o ímpeto é tão grande que batem,
cortam-se, batem novamente e cortam-se ininterruptamente.
Escapar não é fácil, há necessidade de certas sutilezas.
Porém  acreditam que aquele sangue derramado exerceu algum efeito.
E o maior dos inocentes crê veemente ser aquele gesto, mesmo que ínfimo,
o gesto sensato que promove a evolução dentro do presente estado de coisas.
O resultado como esperado é o não rompimento da bolha,
nem da parte quanto menos do todo.
O que fazer? Como alcançar seus alicerces?
Enquanto isso, mais e mais feridos.

São tempos de greves infinitas,  de movimentos desorganizados,
de lutas desenfreadas, de massas militantes
que desconhecem  a causa. Causa interessante no seu cerne,
mas falha na prática, falha por falta de preparo,
de entendimento histórico e teórico.
Falha por seu desespero de resolução,  promissor e iminente.
Em voga o que se encontra é o senso comum, o senhor das ações atuais,
aquele que dita as regras para seus escravos,
dita a importância das lutas, o interesse em conseguir algo a qualquer custo,
a experiência exaltada em detrimento do estudo,
o cotidiano como formador de guerreiros.
Esse é o senhor, mestre e eterno doutrinador do bando.
Aquele que cria verdadeiros combatentes de uma guerra,
guerra onde vantagem não se enxerga, onde o entendimento parece inóspito.
-Quanto altruísmo de nossos representantes, vislumbradores do combate,
da carnificina social. Nobres cidadãos. Regentes do senso.
A mudança é necessária, maiores parecem ser seus significados.
Se não deles de quem esperar?
A pressa atrasa, o caminhar é ineficaz. O que há de se fazer
com um barco que já não pode mais navegar?

Lucas Mendes

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Terra de demasiados feitos


Terra de várias culturas, terra de vários povos,
de índios, negros, bandeirantes.
de nordestinos, cariocas, paulistas,
mineiros, gaúchos e nortistas.
Terra de guerreiros. Terra de Drummond!
Terra herdeira da língua de Camões,
onde cresce a “última flor do Lácio”
Terra do samba! Terra grande e sofrida
Terra de pobreza e de miséria
de favelas, de revoltas
do futebol, do lazer e da celebração.
Terra do desenvolvimento,
Terra do povo esperançoso e trabalhador

-Terra de demasiados feitos!

Terra dos representantes corrompidos pela ganância
das afecções, afecções que não falam mais alto,
afecções que gritam! Gritam o clamor do domínio
Terra dos sedentos por dinheiro e poder
Terra tão comum e tão banal se tornou
onde os que cumprem seu dever político, são heróis.
Terra das greves desorganizadas, terra massificada,
de sensacionalismos e estereótipos
Terra de mudos e cegos.
Terra de bons frutos e de frutos podres!
Terra do dinheiro na cueca
em que a sujeira se acumula e dissemina
embaixo do tapete, tapete tão grande esse.
Terra do tapete pluralista e multicolor.
Terra chamada Brasil!

Lucas Mendes

sábado, 1 de dezembro de 2012

Pós-modernidade


Aduladores da pós-modernidade,
dos adventos da terceira categoria industrial
salvaguardam seu beneficio
em prol de seu conforto, comodidade,
exaltando-se no dissoluto.
É tudo maravilhoso e reluzente,
mal não parece haver.
Essa é ótica do desenvolvimento,
do intelecto tecnológico que floresce
exacerbadamente no mundo contemporâneo.
Assim como em suas belas tecnologias
essas personalidades “geniais” criadoras são ícones,
ícones que abrem uma infinidade de possibilidades
somente num toque.

Aos quatro ventos,
do mais rico ao mais pobre
a nova epidemia se faz mister,
propagou com a rapidez de uma ebola
 na constância do sopro feroz de um furacão.
disseminou de modo impensável
ao mais sensato racional.
Mas não seja ingênuo
 pensaria o indivíduo, porventura.
-Não ei de me abster de considerar
o paradoxo!
Não mais um paradoxo religioso.
Eis o paradoxo tecnológico,
a escravidão massiva da vontade
se vender para comprar, comprar e ter de se vender!
Vende-se, compra-se!
Trabalha! Trabalha! E trabalha!
Mais empregos, menos vagabundos,
tampouco ociosos. 

A vida no dialeto comum é para ser vivida,
a busca da bem vivência ainda não padronizada
é recheada de ambição e interesses,
dos mais variados gêneros.
Todos anseiam por algo e o interesse os amarra,
 prisioneiros perpétuos da busca!
A busca não acaba, senão de súbito!
De tal maneira a vida parece seguir,
bem como o rio em seu curso.
O que de fato ainda é perceptível num segundo olhar,
é pensar  que esse sentimento inoculado
pelo avanço aflige, mata e consome.
Corroí a carcaça, assim como o cupim acaba com a madeira.
Para que o progresso, o tão almejado progresso,
seja vigente no cotidiano.
-Aduladores, meros aduladores!

Lucas Mendes

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Razão final


A vida, corriqueira, não nos oferece
muitas verdade, tão pouco certezas.
É muito complicado, vive-se
em constante mudança.
Culturas, doutrinas, etnias,
as mais variadas concepções
traduzem-se no viver.
A experiência nua e crua
forma o indivíduo.
– Este em muito acredita,
ora duvida, ora obtém clareza.
Pode haver esclarecimento!
Mas não do todo!

Não obstante a algumas certezas
há você!
Muitos de ti já falaram,
outros tantos já dormiram no seu abraço.
Seu manto preto, sua túnica,
assusta, espanta e enaltece!
Serena, diz sem falar.
Chega e esvai-se
 sem ver nem morrer.
Certa, cumpre seu horário,
faz seu trabalho!
Não tarda. Não falha.
É bela!

Vaga pelo mundo desde o princípio,
sentira tédio e prazer,ocorrera paz e guerra
agraciada se tornou,
benévola para uns,
má a serviço do diabo, certa hora.
É você, sem mais.
Sem choro ou piedade.
Com a lâmina mais afiada
do leste ao oeste
norte ao sul,
recolhe a carniça,
enterra o lixo.
E continua seu vagar por outras bandas
Até que solicitada seja.

Sabe-se que nasceu mais um.
Esboça sua alegria,
se boca possuísse, por ventura,
gargalharia.
Pode ser amanhã ou depois
quem sabe daqui a um século.
– Serás agraciada!
Este é o aprendizado básico
do nascer.
Pois aquele que outrora nascera,
um dia entenderá
que do teu sopro
não fugirá.
Irá sucumbir e para as larvas levará
o grande segredo humano.
A grande certeza!

Lucas Mendes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Amor de Irmão


Ao som da voz chorosa
Nota-se embriaguez, medo, possibilidades
raça e mais além, Amor! Sim amor!
Mas o que é amor, logo perguntaria!
Dessa definição abri mão, o que me aproxima
mesmo longe do meu irmão? Distância geográfica necessária?
Necessidade, termo pesado, concreto ou abstrato.
Não recuses a frieza do amargo do sentir,
a partida é triste,  importante e difícil.
Momentos distintos de saudade
diminui a sensibilidade.
O álcool aumenta de lá
O que o estudo procura suprir de cá.

Mas a vida é interessante.
O tempo muda, muda os valores,
as vivências, os sentimentos.
Ora pensamos que são melhores,
ora piores, ora não pensamos, agimos.
A ação do homem fala por ele,
ninguém mais, jamais!
Assim constatado, não poderei mesmo em delongas
dizer ou especificar sobre ele,
somente posso observar, talvez constatar.

Ao passo que a experiência permitir,
é que vos poderei falar que o que deve enxergar
é a própria retina! Retina que já vivenciou a dor
e a alegria, o difícil e mordaz. Porém ainda vê!
Não se absteve, permanece forte e não se fecha.
Luta e carrega nos ombros fardos distintos,
essa força muitos não têm,
são ofuscados em sua presença.
Por isso saliento, da forma que me resta,
isto é, com breves palavras,
a gratificação de se ter um irmão.


Lucas Mendes


domingo, 25 de novembro de 2012

Lamentações


Lamentos e mais lamentos!
já há um muro
suficiente para tal!
Muito são os inventos,
poucos são aqueles significativos
ao bípede pensante!
Enquanto não muda o bem precioso
haverá lobos se aniquilando.
Independentemente do bem dito conciliador.
Os “estáveis” dominam,
mastigam a comida,
cospem as migalhas
na mão dos lamentadores.
Esses, por sua vez,
indignados, inconformados.
Gritam... gritam...gritam  no vácuo!

 – Meros lamentadores! Pobres lamentadores!

Realizam revoluções!
Revoluções intelectuais a sua ótica.
não veem que se alimentam do resto;
vivem na merda;  são tratados  como insetos
que pousam na fruta madura
e logo são enxotados.
O playground alienante, o lazer,
o bem estar, momentâneos,
tapam as chagas de sua origem,
encobrem a face derradeira
da miséria que lhe fora atribuída:
ver-se bom na ruindade alheia.
A justiça é cega de nascença,
Deus em sua bolha não ouve gritos,
somente gemidos, sua audição
é aguçada como de mil cães,
sua ação é tão estática
quanto o movimento de uma rocha.
Não há reconhecimento!
Não há sentido!
– Jaz a revolta!
Não mais tamanha credulidade.
Mais obscenidade, vulgaridade,
futilidade, dificuldade...
porque tantas  -ade?

– Meros lamentadores! Pobres lamentadores!

Lucas Mendes

sábado, 24 de novembro de 2012

Caminhos


Não sonhara em ser astronauta,
somente desejara caminhar,
correr por pistas com vistas ao horizonte.
De súbito me enganei!
As estradas da vida eram sinuosas,
voltar já não eram opção. Logo iniciara a jornada,
a corrida foi exaustiva a princípio,
e cada vez mais difícil, muitos eram os obstáculos,
ora inseridos por mim, ora pelo acaso,
ora apareciam, ora sumiam.
Por vezes esbarrara em suas estruturas.
-Eram tamanhas! Pilares consistentes,
o desviar de um culminara no choque com outro,
com o fôlego jovem, pulmão novo,
não haveria o que parasse, mas muitos foram os que pararam!
Matou inúmeros, tragou a família, o senhor da padaria,
a criança que andara alegremente de bicicleta,
a senhora que passeara com cachorro.
O cansaço se fazia mister,o descanso fora preciso?
Água fresca e sombra de sete copas
aguçavam o desejo de parar, sentar e esperar.
Esperar pelo que? Pelo fôlego voltar?Pela sede saciar?

Não fora pior inimigo do corredor
o obstáculo, o acaso ou até mesmo o cansaço.
Fora o alento do descanso!
este foi sempre muito bem saciado
por aquela criança, por aquele jovem sonhador,
por aquele velhinho que acabara de morrer.
estes optaram pelo atalho, pela sombra fresca,
pela vida branda. Primaram pela alegria, pela alegria da distração,
por toda tecnologia que os apeteciam
nos momentos vagos.
Sedentários tornaram,
músculos fracos com tempo se fizeram,
a corrida já não era opção!
Mas quem correra como Forrest Gump
conseguiria prosseguir.
Firmara o passo,
com mais obstáculos se chocara,
isso lhe concedera prazer.

A trilha não tem sentido. É trilha!
Esta ali para ser atravessada,
bem como a ponte que balança e não cai.
Dada a fortuna e os caminhos desbravados,
é lembrado aquele cheiro,  aquele local
das pessoas que mofando ali estavam,
da TV que ali animara,
do Deus que ali habitara.
Não há superação! Já não tanta alegria,
Nem ao menos onipotência.
Há o caminho, os pés e a habilidade!
Quem irá para guerra, quem irá se ausentar?
O mais viável não saberei afirmar!

Lucas Mendes

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Algo indescritível


Eu quis seu coração
Mas não poderia tê-lo.
Eu quis teu amor
Mas não poderia obtê-lo.
Eu quis tua paixão
Mas não poderia tê-la.
Eu quis teu abraço
Mas não poderia segurá-lo.
Eu quis teu beijo
Mas não poderia beijá-lo.
Eu quis tua Arte,
Mas não podia representá-la.
Eu quis você,
Mas a primeira vista não poderia amá-la!

O eterno devir; o grande acaso; o mistério do viver.
Sem escrúpulos do contingente.
Chega, solidifica, instaura?
E restaura?
O que antes na ideia se comprazia,
Agora material se faz.
Fácil não se torna; possível?
Provável quem sabe.
Os pilares abalados tendem ao solo,
Já não sustentam,
 Fracos estão.
Abalo ‘mental’ sísmico!
A recomposição é cruel e dura,
Não sabe-se o que por vir estará,
A ação, o desejo, a imprevisibilidade.
O ato fala por si.

Alguém para o outrem,
Um para o outro.
A interpretação; o real.
O que seria do homem sem uma misera liberdade?
A liberdade de trazer consigo
No âmago do ser,
A razão junto à vontade.

O querer: e hesitar!
O querer: e fazer!
O pensar: e abster!
O pensar: e praticar!

Aos olhares exteriores é propício,
Ao sofrimento interior difícil.
Um ódio se faz.
A beleza se faz no novo amor que nasce!
Um motivo.
É disso que precisa a espécie?
O sabor provado no primeiro ato,
Já não há volta!
O instinto fala mais.
Já não há correto,
Já não há errado.
Há vontade, há amor!

Recíproco ao se tornar,
Um novo castelo.
 É suspenso,
Com bases fortes,
Muros góticos,
Frágil na essência,
Mistura de vontade e razão,
Prevalecer, não importa.
Fugir ao vento da maré que:
Salga, seca e corroí!
Sustenta o sentimento,
Aguça ainda mais seu grau.
Fez-se intrínseco.

Já não poderia ser mais sem tamanha exaltação!

Eu quis seu coração
Agora posso aquecê-lo.
Eu quis teu amor
E não poderei jamais esquecê-lo.
Eu quis tua paixão,
Não há sentido não tê-la.
Eu quis teu abraço
Hoje grande como um laço.
Eu quis teu beijo
Seu sabor imenso: impossível descrevê-lo.
Eu quis tua Arte,
É hora de pintá-la!
Eu quis você,
E logo amá-la,
Sem mas, sem porém, nem quem.
Apenas ambos,
No calor do inverno,
Na graça da paixão.
Sem descrição!


Lucas Mendes

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Silenciosa arma


Expressarei em palavras aquilo que sinto.
Palavras indiretas,mais brandas aos ouvidos,
mais ofensivas ao entendimento.
Não poupar-vos-ei do meu alarde sonoro
que a muitos incomoda.
Escreverei!
serei mais bem quisto,
amistoso ao olhar decrépito das pessoas,
assim vou me tornando.
Na sutileza, escondendo a maledicência
de reconhecer à estupidez alheia.
Num dia chuvoso não me irritarei, não discutirei,
somente amarei,
se não isso o que esperar de mim?

Digo que espere! Espere! E novamente, espere!
Não serei mais um acomodado,
mais um que se intimida
frente à tamanha ignorância.
Arrogante soarei aos ouvidos alheios,
longe da humildade indefinível pelos mesmos.
Abutres do senso comum, não cheiram, não fedem,
são indiferentes com concepções mitigadas!
Não agradarei, me expressarei!
Não afirmarei uma moral universal,
muito menos consequencial.
Falarei a minha angústia,
expressarei minha raiva, meu descontento,
minha preocupação, minha sanidade.

O mundo a mim apresentado será alvejado,
será criticado, não escapará a essa retina.
Criado por ele,
revolto-me com a aparência maltrapilha,
mesquinha e ilusória.
Não me deterei somente ao amor
e este não descartarei
esse expressa transparência, beatitude.
Tratarei da realidade nua e crua,
das mazelas, do horror.
Não utilizarei o tapa olho,
nem vista grossa farei.
Meu grito poderá ser ouvido ao longe,
ao pé de cada montanha.
Por ventura será ignorado e abafado
por sua prepotência,
por seu escopo escandaloso.
Minha arma não mata, não derrama sangue,
apenas faz do cérebro um instrumento a ser usado.


Assim será meu poema,
através dele atinjo as bolhas de ignorância
ele é ostensível, machuca ao fazer refletir.
É a expressão que foi recusada,
é o ardor de meu grito.
A minha insatisfação refletindo
a miséria intelectual desprovida do “saber” cotidiano.
Enganam-se os que pensam
ser esse meu único manifesto
gritarei, discutirei até que meu corpo pereça
e dele emane apenas o eco do pensamento.
Eco transmutado em poema!
Leiam, apaixonem-se, odeiem.Leiam!
Sintam o prazer da minha arrogância
martelar em suas mentes fétidas.
Sinta o ressoar da corda vocal estanque,
critique, crie defeitos,
ao passo que já o tentou interpretá-lo
e pego pelo laço o foras.
Não sairás impune!
Verás uma gotícula de realidade
Ao se espantar com demasiadas palavras.

Lucas Mendes

domingo, 18 de novembro de 2012

Peso existencial


O que de fato compraz o homem
Ainda é parte do lado obscuro da compreensão.
Pensar a existência, assim como tantas questões
seria demasiado pertinente?
Por tanta subjetividade se procurou,
também por objetividade.
Realidade, verdade.
Questionamentos e suas devidas respostas.
É criado o abismo do compreender,
o incrédulo se manifesta inverno após inverno. 
A questão ganha força,
a resposta ainda não foi resgatada do vácuo.
Se é que lá se encontra!
Tanta complexidade contrasta uma simplicidade?
O que a retina mental quer enxergar?
O peso da existência é grande, assustador.

As mazelas não cicatrizam.
Tantas preocupações, inúmeras concepções.
Onde facultam as mais relevantes representações?
Tão diferentes das outras espécies, tão vulnerável quanto.
Em que época se vive?
O sentido, a época, a razão.
Melhor são os que facultam de coisas vãs?
São admiráveis as capacidades intelectuais,
mas interessante é pensar o propósito a que se voltam.
Recheados com chagas, feridas, úlceras,
Já não facultam. Vivem!
Esperam, acreditam, falam, fazem.
Acaba o milênio, começa outro, perpetuam, vagam.
Não a extinção! Nenhum efeito catastrófico!
Reinam no seu império, filhos do saber e da ignorância.
Acrescem e se tornam mais tecnológicos!
E ainda não sabem responder questões iniciais de sua caminhada.
O acaso é uma venda, tapa uma imagem e proporciona outra.
É paradoxal, reflete um sistema, que tira para obter.
De onde partimos e onde pretendemos chegar?
O peso da existência é grande, assustador.

 Lucas Mendes

O que há?


Das mais belas obras artísticas
saíram as melhores críticas interpretativas
não obstante a dedicação e o empenho
transportado para uma representação estética
de caráter tão “belo” tanto no que tange
ao objetivo quanto ao subjetivo.

Mas a arte não é restrita!
O artista será julgado de diversas maneiras,
abertura essa também concedida por aqueles
que se dedicam aos versos,
suas obras representam-os no mundo objetivo.
A obra pelo autor!
O autor na obra!

Não há obra, nem autor, nem leitor.
Há representações e suas interpretações.
Comprometimento e descaso
desejos frugais e dissolutos
bocas e ouvidos!
Simplicidade.
Há coisas, pensamentos, instrumentos.
Há!
O resto é reflexo!

Lucas Mendes

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Escravos da modernidade


Ó princesa Isabel
onde repousas?
Necessária é a abolição.
escravos da tecnologia,
dos prazeres dissolutos,
adoradores fúteis
amantes da contemporaneidade.
Críticos dos umbigos alheios
incapazes de enxergar,
braile não é a solução para tamanha cegueira.
A verdade se instaurou,
Intelecto geral,
Sapiência em dobro,
vulgos sapiens sapiens,
dotados de fala.
-EVOLUÇÃO?
As masmorras de antes
visíveis hoje apenas na ficção
imaginárias,sem fronteiras.
Tijolos abstratos,
Correntes ‘mental’
autrora  metal
“presas da ‘liberdade determinada’”
alvos desenhados nas faces
bombas de publicidade
espalham efeito moral.

Lucas Mendes

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Lua


Ao silêncio de minha caminhada
noturna, deparei-me estupefato
com ela cheia, ofuscada em partes
pelos emaranhados de ‘algodão’,
elucidada mostrando em parte seu brilho
amarelado.
Não fossem as criações não-naturais
ela soberana estaria simples e só
em sua completude natural.
Mas porque a surpresa?
Ali sempre se encontrou, estivesse
paralisado frente a um prédio?

Lucas Mendes

domingo, 11 de novembro de 2012

Procura


Paralisado em minha demência.
O gesto mais sensato,
desvio agora devido atrofio da mente,
longe do corpo escapa, viaja ao horizonte
onde a luz que se põe  se opõem,
se faz reflexo da natureza humana estagnada.
Tamanha seria minha decência comparada a ela,
tantos que  a adulam, dela correm,
vítima corrompida do novo mal do século,
um novo padrão indefinível e corriqueiro .
-Onde você se encontra, diga-me?
E até você chegarei.
-No globo estas? Globalizado eu sou.
-Na lua? Lunático me torno.
-Em outro planeta? Extraterrestre quem sabe.
Se de mim foge tanto, tanto mais corro,
não suo, não canso, apenas vou,
a pista afunila com a idade próxima,
ingerindo celulose em brochuras.
Do deserto fugi, esqueci-me,
lapsos se tornam miragens,
não me engano.
A muito dormi. Desperto-me!

Lucas Mendes

Um lugar, um olhar e um pensamento

Do olhar da janela nota-se
o acompanhamento daquele, que
ao estar ali sempre mudo não o deixa,
ao contrário,
deleita na profunda acepção.
Passou-se o crepúsculo, embora
não revela explicitamente o fato.
A luz natural enaltecida pela artificial
mostra um reflexo do concreto.

Ali se alimenta, come de tudo,
bebe-se da garrafa roxa,
lugar de frutíferos e corriqueiros alimentos.
alimentam a imaginação,
cortada pelo som irritante,
um aparelho que fala!
culminando de uma leitura recíproca
que amplamente vai se configurando.

Qualidade subjacente transporta para perto
do que é, e afirma não ser.
Dessa mesma feita
a melhor companhia o torna,
melhor seria outra, que longe está
e talvez a aumentar.
Triste é não poder aproveitar,
mascarar o  pensar, e ainda perto se encontrar.

A loucura segue,
exacerba como que
em contingentes vezes
e esvai, retorna esvaindo-se.
-O gosto? Sua beleza o traz.
Dissimula ao necessário
ao horrível e aterrorizante escopo.
- O livro é a melhor companhia,
fala quando solicitado,
machuca sem ferir,
o ser humano ali endeusado é quase perfeito.
Traduzido por um lápis e um pensamento!

Lucas Mendes

sábado, 10 de novembro de 2012

Ambígua realidade


-Joãozinho recolhe-se rapidamente,
tamanho é seu regozijo
e ali permanece adormecido
na realidade de seus pensamentos,
ao jogar areia nos olhos, começa a realidade.
-É dia. Continuo minha rotina,
reencontro pessoas amadas, carros, construções.
Gigantesca montanha, esse lugar está diferente,
porque me perseguem?
Porque me amam e me odeiam tanto?
Quanta sapiência e ignorância
misturam-se no liquidificador,
o bolo sai como descrito na receita,
não queimou!
Todos saciam o desejo surreal de realidade,
Anoiteceu, crepúsculo não houve,
hienas vagam junto a mim, bandidos perseguem,
a prometida liberta sem pudor.
A translação não cessa.
Ajeito a gravata, pego minha pasta,
ando pelas ruas, satisfeito com minha plenitude.
Um carro desgovernado me poupa os passos,
estou do outro lado da rua comendo chocolate,
o projétil me acerta,  me vejo de fora  apunhalado a facadas,
Gritos e mais gritos. Tamanho desespero.
-Acorda, acorda, acorda!
Acabou-se a imortalidade.
Não sinto os pés, lábios adormecem,
morbidez interrompida  pelo estridente som.
-Acorda Joãozinho vai se atrasar! É dia.
Continuo minha rotina!

Lucas Mendes




Morbidez


O instante é,
foi e talvez venha a ser.
A música que ressoa
ao lado esquerdo do ouvido,
a poluição mundana, 
a dor mórbida, o desejo eterno,
que vão e vem.
-Veio nesse instante, logo partirá
para assolar os demais?
Ruim, bom, relativo, auditivo,
Racional talvez.

O vocalista faz sua melodia,
audacioso, confiante e Conflitante.
Vê-se no espelho,
não se enxerga, apaga a luz e
vê-se no escuro, sua imagem perfeita,
ideia mais translucida que é.
Veste-se de luzes exteriores
que ofuscam os olhos alheios
cumpre seu objetivo, perpassa o agora,
canta à multidão.
Banalizam!
Ela não soa bem, incomoda, faz pensar.

O interior obscuro,
feio a todos elucida o bem,
ama e afeiçoa.
É interiorizado e diferente.
Já o espelho exterior está
no instante agora quebrado,
reflexo do passado.
O futuro?
- Inventaram a cola.

Lucas Mendes