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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Silenciosa arma


Expressarei em palavras aquilo que sinto.
Palavras indiretas,mais brandas aos ouvidos,
mais ofensivas ao entendimento.
Não poupar-vos-ei do meu alarde sonoro
que a muitos incomoda.
Escreverei!
serei mais bem quisto,
amistoso ao olhar decrépito das pessoas,
assim vou me tornando.
Na sutileza, escondendo a maledicência
de reconhecer à estupidez alheia.
Num dia chuvoso não me irritarei, não discutirei,
somente amarei,
se não isso o que esperar de mim?

Digo que espere! Espere! E novamente, espere!
Não serei mais um acomodado,
mais um que se intimida
frente à tamanha ignorância.
Arrogante soarei aos ouvidos alheios,
longe da humildade indefinível pelos mesmos.
Abutres do senso comum, não cheiram, não fedem,
são indiferentes com concepções mitigadas!
Não agradarei, me expressarei!
Não afirmarei uma moral universal,
muito menos consequencial.
Falarei a minha angústia,
expressarei minha raiva, meu descontento,
minha preocupação, minha sanidade.

O mundo a mim apresentado será alvejado,
será criticado, não escapará a essa retina.
Criado por ele,
revolto-me com a aparência maltrapilha,
mesquinha e ilusória.
Não me deterei somente ao amor
e este não descartarei
esse expressa transparência, beatitude.
Tratarei da realidade nua e crua,
das mazelas, do horror.
Não utilizarei o tapa olho,
nem vista grossa farei.
Meu grito poderá ser ouvido ao longe,
ao pé de cada montanha.
Por ventura será ignorado e abafado
por sua prepotência,
por seu escopo escandaloso.
Minha arma não mata, não derrama sangue,
apenas faz do cérebro um instrumento a ser usado.


Assim será meu poema,
através dele atinjo as bolhas de ignorância
ele é ostensível, machuca ao fazer refletir.
É a expressão que foi recusada,
é o ardor de meu grito.
A minha insatisfação refletindo
a miséria intelectual desprovida do “saber” cotidiano.
Enganam-se os que pensam
ser esse meu único manifesto
gritarei, discutirei até que meu corpo pereça
e dele emane apenas o eco do pensamento.
Eco transmutado em poema!
Leiam, apaixonem-se, odeiem.Leiam!
Sintam o prazer da minha arrogância
martelar em suas mentes fétidas.
Sinta o ressoar da corda vocal estanque,
critique, crie defeitos,
ao passo que já o tentou interpretá-lo
e pego pelo laço o foras.
Não sairás impune!
Verás uma gotícula de realidade
Ao se espantar com demasiadas palavras.

Lucas Mendes

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