Expressarei em palavras
aquilo que sinto.
Palavras indiretas,mais brandas aos
ouvidos,
mais ofensivas ao
entendimento.
Não poupar-vos-ei do
meu alarde sonoro
que a muitos incomoda.
Escreverei!
serei mais bem quisto,
amistoso ao olhar
decrépito das pessoas,
assim vou me tornando.
Na sutileza, escondendo
a maledicência
de reconhecer à
estupidez alheia.
Num dia chuvoso não me
irritarei, não discutirei,
somente amarei,
se não isso o que
esperar de mim?
Digo que espere!
Espere! E novamente, espere!
Não serei mais um
acomodado,
mais um que se intimida
frente à tamanha
ignorância.
Arrogante soarei aos
ouvidos alheios,
longe da humildade indefinível
pelos mesmos.
Abutres do senso comum,
não cheiram, não fedem,
são indiferentes com concepções
mitigadas!
Não agradarei, me expressarei!
Não afirmarei uma moral
universal,
muito menos
consequencial.
Falarei a minha
angústia,
expressarei minha raiva, meu descontento,
minha preocupação,
minha sanidade.
O mundo a mim
apresentado será alvejado,
será criticado, não
escapará a essa retina.
Criado por ele,
revolto-me com a aparência maltrapilha,
mesquinha e ilusória.
Não me deterei somente
ao amor
e este não descartarei
esse expressa
transparência, beatitude.
Tratarei da realidade
nua e crua,
das mazelas, do horror.
Não utilizarei o tapa
olho,
nem vista grossa farei.
Meu grito poderá ser
ouvido ao longe,
ao pé de cada montanha.
Por ventura será
ignorado e abafado
por sua prepotência,
por seu escopo
escandaloso.
Minha arma não mata,
não derrama sangue,
apenas faz do cérebro
um instrumento a ser usado.
Assim será meu poema,
através dele atinjo as
bolhas de ignorância
ele é ostensível,
machuca ao fazer refletir.
É a expressão que foi
recusada,
é o ardor de meu grito.
A minha insatisfação refletindo
a miséria intelectual desprovida
do “saber” cotidiano.
Enganam-se os que
pensam
ser esse meu único
manifesto
gritarei, discutirei até que meu corpo
pereça
e dele emane apenas o
eco do pensamento.
Eco transmutado em
poema!
Leiam, apaixonem-se,
odeiem.Leiam!
Sintam o prazer da
minha arrogância
martelar em suas mentes
fétidas.
Sinta o ressoar da
corda vocal estanque,
critique, crie
defeitos,
ao passo que já o
tentou interpretá-lo
e pego pelo laço o
foras.
Não sairás impune!
Verás uma gotícula de
realidade
Ao se espantar com
demasiadas palavras.
Lucas Mendes
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