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sábado, 8 de dezembro de 2012

Iminente naufrágio


A tão famosa arte, arte semelhante a do navegar,
do capitão que tempestades vence ou com navio se esvai.
Arte dos chefes de Estado, do país, da universidade.
Os sumos representantes, deuses humanos em busca de interesses,
interesses pessoais ou públicos? Paralelos ou concorrentes?
-Comecemos olhando para o poder deles, quem sabe
não nos preocupando com seu grau, mas com a sede e a ânsia para
tê-lo e nele manter-se
O que realmente torna pessoas competentes para reger um órgão,
é  algo com o que as pessoas não têm se preocupado. E deveriam?
A demagogia, o fácil convencimento do público
banaliza e estigmatiza essa nação de um ponto a outro.
O fato de pensar o erro dessa estrutura
faz com que os cegos, presos no enclausuramento do sistema
exijam uma solução. Pecam! Fecham os olhos e viram as costas
e ainda obrigam-nos a solucionar o problema.
A complacência de um guerreiro politicamente correto
está nos atos impensados, imaturos e impetuosos
esses são os vulgos salvadores do estado.

Correm como que em uma bolha recheada de lâminas
voltadas para seu interior, o ímpeto é tão grande que batem,
cortam-se, batem novamente e cortam-se ininterruptamente.
Escapar não é fácil, há necessidade de certas sutilezas.
Porém  acreditam que aquele sangue derramado exerceu algum efeito.
E o maior dos inocentes crê veemente ser aquele gesto, mesmo que ínfimo,
o gesto sensato que promove a evolução dentro do presente estado de coisas.
O resultado como esperado é o não rompimento da bolha,
nem da parte quanto menos do todo.
O que fazer? Como alcançar seus alicerces?
Enquanto isso, mais e mais feridos.

São tempos de greves infinitas,  de movimentos desorganizados,
de lutas desenfreadas, de massas militantes
que desconhecem  a causa. Causa interessante no seu cerne,
mas falha na prática, falha por falta de preparo,
de entendimento histórico e teórico.
Falha por seu desespero de resolução,  promissor e iminente.
Em voga o que se encontra é o senso comum, o senhor das ações atuais,
aquele que dita as regras para seus escravos,
dita a importância das lutas, o interesse em conseguir algo a qualquer custo,
a experiência exaltada em detrimento do estudo,
o cotidiano como formador de guerreiros.
Esse é o senhor, mestre e eterno doutrinador do bando.
Aquele que cria verdadeiros combatentes de uma guerra,
guerra onde vantagem não se enxerga, onde o entendimento parece inóspito.
-Quanto altruísmo de nossos representantes, vislumbradores do combate,
da carnificina social. Nobres cidadãos. Regentes do senso.
A mudança é necessária, maiores parecem ser seus significados.
Se não deles de quem esperar?
A pressa atrasa, o caminhar é ineficaz. O que há de se fazer
com um barco que já não pode mais navegar?

Lucas Mendes

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