Sociedade de cães
selvagens, de caráter mal acurado,
permeada por pensamentos
estagnados e perniciosos.
Interpretações por
estereótipos, rigor esmagado,
Aquisição de
conhecimento em vão, punições desonestas.
Mal capacitados são
muitos, muitos pagaram e irão pagar por isso!
Chagas de uma ferida. Ferida
que não se cura,
sociedade da iniquidade,
senso comum que perdura.
Ódio pela sensatez. Puro
desconforto o pensar causa,
os olhos ofuscados não
almejam forma nítida
o passo na penumbra
ganha em excessivo vislumbre.
A fuga almejada desse
enclausuramento social,
é ataca e repreendida pelos cães do habitual,
cães que montam a
guarda repressiva do ordinário
latido forte, imponente
e pavoroso, professa o caos
transversalmente com sua
indisciplina e mau adestramento.
Frente a uma simples
ameaça não hesita em morder
crava os caninos nos
que rompem os laços vulgares,
Poupa somente o dono, o
líder e todo poderoso
Esse é o canil de meros
cães organizados hierarquicamente
uns lideram e usufruem
da abundância,
outros subordinam e provam
da escassez,
uns comem filé mignon,
outros ração.
Ensinam conhecimento
simples e direto. O resto o instinto é quem guia.
O cão de raça nobre alude
à matilha a respeito de um criador
o salvador da miséria
canina,
a importância para além
de meras mordidas e condição desproporcional.
É o fundamento por
excelência.
Não poderia esquecer,
por ventura, dos cães bondosos,
que se curvam ante os
ferozes e destruidores,
olham com piedade, um olhar baixo e simplificado.
A repressão assusta-os
em demasia, preferem não carregar o fardo do ataque,
privam-se das bocadas, estacam
o nímio sangramento,
defendem-se no
particularismo,
não fogem do mal maior e mais temido: a sarna.
A sarna é bem quista,
mas não deveria, não por si só.
Está em excesso nos cães. – Como livrar desse
mal?
Tantos cachorros
perecem por conta desse mal quase invisível,
uma coceira estranha que surge e não se vê a
causa,
mortal, que se não tratada prolifera pelo
canil
e leva dos mais fracos até os mais fortes a
perecer.
Ela está extraordinariamente
por todo lado. Dela os mais sábios cães correm.
No final serão ouvidos
uivos de dor e pavor, choramingo desesperador
e toda matilha será
tragada pela propagação do ácaro.
Ácaro que vive pela
simples existência do cão, e morre em sua ausência.
Cão que convive com
ácaro e sem ele quiçá sobrevive.
Lucas Mendes
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