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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Senso canino


Sociedade de cães selvagens, de caráter mal acurado,
permeada por pensamentos estagnados e perniciosos.
Interpretações por estereótipos, rigor esmagado,
Aquisição de conhecimento em vão, punições desonestas.
Mal capacitados são muitos, muitos pagaram e irão pagar por isso!
Chagas de uma ferida. Ferida que não se cura,
sociedade da iniquidade, senso comum  que perdura.
Ódio pela sensatez. Puro desconforto o pensar causa,
os olhos ofuscados não almejam  forma nítida
o passo na penumbra ganha em excessivo vislumbre.
A fuga almejada desse enclausuramento social,
é  ataca e repreendida pelos cães do habitual,
cães que montam a guarda repressiva do  ordinário
latido forte, imponente e pavoroso, professa o caos
transversalmente com sua indisciplina e mau adestramento.
Frente a uma simples ameaça não hesita em morder
crava os caninos nos que rompem os laços vulgares,
Poupa somente o dono, o líder e todo poderoso
Esse é o canil de meros cães organizados hierarquicamente
uns lideram e usufruem da abundância,
outros subordinam e provam da escassez,
uns comem filé mignon, outros ração.
Ensinam conhecimento simples e direto. O resto o instinto é quem guia.

O cão de raça nobre alude à matilha a respeito de um criador
o salvador da miséria canina,
a importância para além de meras mordidas e condição desproporcional.
É o fundamento por excelência.
Não poderia esquecer, por ventura, dos cães bondosos,
que se curvam ante os ferozes e destruidores,
olham com piedade,  um olhar baixo  e simplificado.
A repressão assusta-os em demasia, preferem não carregar o fardo do ataque,
privam-se das bocadas, estacam o nímio sangramento,
defendem-se no particularismo,
não fogem do mal maior e mais temido: a sarna.
A sarna é bem quista, mas não deveria, não por si só.
Está em excesso nos cães. – Como livrar desse mal?
Tantos cachorros perecem por conta desse mal quase invisível,
uma coceira estranha que surge e não se vê a causa,
mortal, que se não tratada prolifera pelo canil
e  leva dos mais fracos até os mais fortes a perecer.
Ela está extraordinariamente por todo lado. Dela os mais sábios cães correm.
No final serão ouvidos uivos de dor e pavor, choramingo desesperador
e toda matilha será tragada pela propagação do ácaro.
Ácaro que vive pela simples existência do cão, e morre em sua ausência.
Cão que convive com ácaro e sem ele quiçá sobrevive.

Lucas Mendes

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