Enquanto eu aqui rechaço
minha ignorância
exaltando minha ânsia
por conhecimento
prostrando-me
infimamente perante a realidade,
muitos são também os
que repudiam,
enjeitam a crueldade
real a que pertencem
onde a exaltação não
passa de mero
desejo básico próprio
dos animais: o alimento.
Um simples prato de
comida é o desejo daquela criança,
uma vida melhor ou a
morte implora aquela mãe.
Paradoxo da práxis,
deveras lastimável!
A vida é vista por
diversas óticas. Os anseios talvez alcançáveis,
cada qual enxerga a seu
modo.
Mas todos são
portadores de retinas e globos oculares semelhantes
onde encontra a
disparidade, então?
Enquanto isso eu aqui
na minha arrogância por mais conhecimento,
e a criança por mais
alimento,
o José da esquina
suplica por uma chance.
Será a impossibilidade
titular nesse jogo desonesto?
A possibilidade e seu
contrário caminham lado a lado
Numa incessante corrida
contra a razão final
– prélio humano que perdura.
Algo parece desconexo,
as peças já não se encaixam.
Houvera autrora algum
encaixe?
Separados por uma vida,
presos a um anseio.
A prática é mesmo como ‘rocha
dura’, resiste a golpes, ao calor e até ao ardor.
Mais brandos são os
desejos, ora relevantes ora nem tanto.
Como? Não saberei
dizê-lo. O núcleo dispare do real não pode ser exposto
senão pela depravação
do ‘homo’ para com os seus,
movidos pela ânsia de
desejar, desejo por uma certa efetivação particular.
E assim a contingência
prossegue, o paradoxo ganha proporções
e ainda que alguns
pereçam o desejo perdura.
Conhecimento, dinheiro,
comida, roupas,
Trabalho, sucesso ,
felicidade. O homem se move por desejos,
Por esses também cessa,
mata e morre.
Tudo para desfrutar da
ânsia tão ansiada.
Seja pobre ou rico,
índio ou pardo, alto ou baixo,
velho ou novo, crente
ou incrédulo.
Unos são tão somente
mediante desejos
O mesmo ato que une se
dissolve, quebra,
rompe como que laço mal
feito.
Ruína contrastante da
vida em bando que forte é,
e fraca pode se tornar a qualquer sopro do
acaso,
onde favorecidos e
desfavorecidos lutam.
Lutam por si, para si,
para o bando. Lutam!
Lutam numa continua
batalha teleológica.
Lucas Mendes
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