Páginas

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Meros desejos

Enquanto eu aqui rechaço minha ignorância
exaltando minha ânsia por conhecimento
prostrando-me infimamente perante a realidade,
muitos são também os que repudiam,
enjeitam a crueldade real a que pertencem
onde a exaltação não passa de mero
desejo básico próprio dos animais: o alimento.
Um simples prato de comida é o desejo daquela criança,
uma vida melhor ou a morte implora aquela mãe.

Paradoxo da práxis, deveras lastimável!
A vida é vista por diversas óticas. Os anseios talvez alcançáveis,
cada qual enxerga a seu modo.
Mas todos são portadores de retinas e globos oculares semelhantes
onde encontra a disparidade, então?
Enquanto isso eu aqui na minha arrogância por mais conhecimento,
e a criança por mais alimento,
o José da esquina suplica por uma chance.

Será a impossibilidade titular nesse jogo desonesto?
A possibilidade e seu contrário caminham lado a lado
Numa incessante corrida contra a razão final
– prélio humano que perdura.
Algo parece desconexo, as peças já não se encaixam.
Houvera autrora algum encaixe?
Separados por uma vida, presos a um anseio.

A prática é mesmo como ‘rocha dura’, resiste a golpes, ao calor e até ao ardor.
Mais brandos são os desejos, ora relevantes ora nem tanto.
Como? Não saberei dizê-lo. O núcleo dispare do real não pode ser exposto
senão pela depravação do ‘homo’ para com os seus,
movidos pela ânsia de desejar, desejo por uma certa efetivação particular.
E assim a contingência prossegue, o paradoxo ganha proporções

e ainda que alguns pereçam o desejo perdura.
Conhecimento, dinheiro, comida, roupas,
Trabalho, sucesso , felicidade. O homem se move por desejos,
Por esses também cessa, mata e morre.
Tudo para desfrutar da ânsia tão ansiada.

Seja pobre ou rico, índio ou pardo, alto ou baixo,
velho ou novo, crente ou incrédulo.
Unos são tão somente mediante desejos
O mesmo ato que une se dissolve,  quebra,

rompe como que laço mal feito.
Ruína contrastante da vida em bando que forte é,
e fraca pode se tornar a qualquer sopro do acaso,

onde favorecidos e desfavorecidos lutam.
Lutam por si, para si, para o bando. Lutam!

Lutam numa continua batalha teleológica.

Lucas Mendes

Nenhum comentário:

Postar um comentário